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São Paulo, 27 de junho de 2007

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Havaianas tem rede "espontânea" de 60 lojas
Tainã Bispo
27/06/2007


Julio Bittencourt/Valor
Carlos Alberto e Sonia Michelena, de São Paulo, têm duas lojas de Havaianas e vão inaugurar mais duas até dezembro
Para muitos, a Havaianas é um par de sandálias confortável e tradicionalmente brasileiro. Para outros, além de proteger os pés, a marca também faz bem para o bolso. Há cerca de três anos, alguns pequenos empresários tomaram a iniciativa de abrir, por conta própria, lojas ou quiosques que vendessem, apenas, "as legítimas". A idéia deu certo. Hoje, são 60 pontos-de-venda espalhados pelo Brasil que tentam reunir a maior oferta de modelos possível - quase 80 tipos diferentes.


A fabricante da Havaianas, a São Paulo Alpargatas, não tem relação direta com esses pontos-de-venda (exceto o fornecimento do produto). Mas tem acompanhado de perto os passos dos empreendedores, orientando-os a respeito da ambientação das lojas. "Damos uma consultoria aos lojistas para assegurar que o consumidor tenha a experiência que queremos transmitir com a marca quando está nesses pontos-de-venda", diz Carla Schmitzberger, diretora de Negócios da Havaianas.


Carlos Alberto Michelena e sua esposa, Sonia Gomes, de São Paulo, decidiram abrir uma loja exclusiva para o produto em 2006. "Vimos que existia uma demanda, já que diversos lugares não oferecem a gama completa de modelos", afirma o empresário. "Montamos um projeto, que envolveria quatro pontos-de-venda em São Paulo, e mostramos para a Alpargatas."


Apenas um ano depois, o casal já está próximo de completar a meta. Hoje, têm duas lojas na capital paulista - em Alphaville e no bairro de Moema -, que foram batizadas de Sandanas, e preparam-se para abrir as próximas duas unidades até o fim do ano, nas zonas norte e leste da cidade.


Salvador, na Bahia, também já conta com lojas especializadas em Havaianas, que fazem sucesso entre os gringos, principalmente. Fernanda Alonso, sócia da loja Flip Flop, inaugurou a primeira unidade, nos arredores do ponto turístico Elevador Lacerda, em 2004. E considerou positivo o suporte que recebeu da Havaianas. "Eles nos ajudaram a escolher a melhor arrumação, onde colocar o display e valorizar o produto", explica a empresária. "Além disso, sugeriram pintar a loja de branco e nos orientaram sobre a iluminação adequada." Em agosto do ano passado, ela abriu o segundo ponto, na Ladeira do Carmo, próximo ao Pelourinho. "Os turistas enlouquecem. E mesmo a população local não sabe que há tantos modelos assim", diz Fernanda. As lojas Flip Flop vendem, em média, 1,5 mil pares por mês. Em 2006, as vendas cresceram 15% em relação ao ano anterior.


A capital baiana foi palco para que uma empresária de Porto Alegre tivesse a mesma idéia. Numa viagem a Salvador, a gaúcha Janice Krischke Chmelnitsky ficou "encantada" com a oferta de modelos que encontrou no varejo. "Sou apaixonada por Havaianas. Mas em Porto Alegre só via modelos mais básicos da marca, vendidos em supermercados", diz.


Em pouco tempo, ela entrou em contato com a Alpargatas, desistiu de sua loja de acessórios e passou a vender Havaianas e Timberland (outra marca da Alpargatas). Três anos depois, sua loja, a HSC Concept, trabalha com toda a linha Havaianas, inclusive modelos de exportação, que não costumam ser oferecidos no mercado nacional. Ela não revela seu volume de vendas, mas dá uma pista. No verão - alta temporada para o produto - chega a ter em estoque 30 mil pares.


A abertura de tantas lojas poderia tornar-se uma dor de cabeça para muitas marcas. Mas não para a Havaianas. "O consumidor tem uma relação muito forte com a marca", diz Eugênio Foganholo, diretor da consultoria Mixxer Desenvolvimento Empresarial. "E rejeitaria o ponto-de-venda que não apresentasse os atributos da marca, como sofisticação e moda", conclui.





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