Consumidor usa
carro para driblar o juro alto do varejo
Marli Olmos e Claudia Facchini
20/06/2007
| A dentista Rosa Maria Bernacchio queria comprar material de construção
para reformar seu apartamento, mas as taxas de juros cobradas pelo banco
eram desanimadoras, de 4% ao mês. Então, ela foi a uma concessionária,
vendeu sua picape S10 por R$ 22,5 mil e, com o dinheiro, comprou à vista o
material de construção. Além disso, saiu da concessionária com um Fox
novo, de R$ 35 mil, que pagará em 60 prestações de R$ 900, com juros de
1,18% ao mês. |
| Como Rosa Maria, os consumidores começam a encontrar fórmulas para
driblar os juros ainda exorbitantes cobrados pelo varejo ou no cheque
especial. Obter dinheiro em lojas de automóveis é uma das modalidades mais
usadas, que o mercado chama de "troca com troco".
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| Só no primeiro trimestre, a carteira de financiamento de veículos
somou R$ 66,9 bilhões, 23,3% mais que em igual período do ano passado.
Segundo o Banco Central, a taxa de juros média anual cobrada em
financiamentos de veículos no período ficou em 31,2%, índice mais baixo
até que o do crédito consignado (32,4%). Os financiamentos de outros bens
atingem taxa média de 55,4%. No caso do crédito pessoal, a média foi de
55,4% e no cheque especial, de 140,8%. |
| O consultor especializado em varejo Eugênio Foganholo, da Mixxer, diz
que o segmento automobilístico tem dado lições de crédito aos demais
setores, o que justifica a explosão de vendas de veículos no ano - alta de
24% até maio. Ao contrário do varejo em geral, no mercado de automóveis
quem dá o tom dos juros são os fabricantes e não os lojistas. Às
montadoras interessa mais aumentar a produção e ganhar escala do que
ganhar com a cobrança de juros. No varejo de eletrônicos ou mesmo de
vestuário, o crediário é uma fonte extra de lucro. Os juros das lojas são
salgados. Nas de vestuário, por exemplo, planos de zero de entrada mais 8
prestações chegam a 5% ao mês. |
| Segundo o presidente da Volkswagen, Thomas Schmall, há um ano os
financiamentos acima de 36 meses contemplavam 34% das vendas de automóveis
da marca. Este ano, 49% dos carros da Volks foram vendidos com planos de
financiamento de mais de 36 meses. Na Fiat, os automóveis vendidos em
planos de financiamento ou leasing já somam 64% do total e, destes, 78%
são feitos com prazos acima de 36 meses. Página B8
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