Lucro da
Pernambucanas sofre com débito fiscal
Daniele do Nascimento Madureira
19/03/2007
| O lucro líquido da Casas Pernambucanas - Arthur
Lundgren Tecidos S.A - caiu 96% em 2006, atingindo R$ 2,1 milhões,
conforme balanço da empresa publicado na sexta-feira. Em 2005, a varejista
havia lucrado R$ 51,2 milhões, resultado semelhante ao de 2004. No
balanço, a Pernambucanas atribui a queda a sua adesão ao programa de
anistia fiscal para os débitos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS). Sem isso, afirma a empresa, o lucro teria sido de R$
72,95 milhões. |
| A Pernambucanas esteve entre as companhias autuadas pelo fisco
paulista em um processo batizado de "soja papel". A investigação revelou
que a empresa mantinha operações fictícias de compra, industrialização e
exportação de soja, em que se beneficiava de créditos de ICMS (um total de
R$ 59,2 milhões). |
| As vendas da companhia cresceram 14,5% no ano passado, somando R$ 3,3
bilhões. "Foi uma evolução razoável para quem não aumentou o número de
lojas", diz o consultor em varejo Eugênio Foganholo. No entanto, segundo
ele, a estimativa do faturamento por metro quadrado (cerca de R$ 450 ao
mês) é baixa perante outros competidores, especialmente no varejo de
confecções. "É um patamar muito frágil", afirma Foganholo, que também
considera o mix de produtos da Pernambucanas - que vai de informática a
cortinas, passando por eletrodomésticos - amplo demais, o que torna a rede
pouco competitiva frente aos varejistas especializados.
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| Controlada pelos descendentes de Theodor Lundgren, sueco que fundou a
primeira Casas Pernambucanas em 1908, a companhia foi procurada pelo
Valor, mas se recusou a dar entrevista. É a segunda maior varejista de
vestuário do País, perdendo apenas para a C&A. O segmento mostra-se
bem pulverizado e, juntas, as cinco maiores redes - C&A, Riachuelo,
Renner, Pernambucanas e Marisa - têm 9% do mercado
formal, segundo estimativa do Banco Espírito Santo.
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| Nos últimos anos, a Pernambucanas vem tentando rejuvenescer a sua
marca, especialmente com patrocínio a eventos de moda (investiu R$ 8
milhões em propaganda no ano passado). Também como seus concorrentes,
aposta em produtos financeiros como o cartão Pernambucanas e a oferta de
seguros. |
| A empresa, no entanto, não integra um grande grupo mundial, como a
anglo-holandesa C&A, ou levanta recursos no mercado
de capitais, como as brasileiras Renner e Riachuelo, que têm ações em
bolsa. "Isso pode se mostrar uma desvantagem no médio prazo, uma vez que
as empresas precisam se capitalizar para financiar a sua expansão, única
maneira de conquistar mercado neste segmento", diz um analista.
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| Em 2006, a Pernambucanas praticamente patinou: manteve as 238 lojas do
ano anterior, embora tenha lançado seu site de comércio eletrônico. No
balanço, a empresa informou o início de um processo de expansão, com
abertura de 10 lojas. A Renner abriu 15 pontos-de-venda
no ano passado, atingindo 81 lojas e lucrou R$ 98,8 milhões (alta de 23%
sobre 2005). Já a Guararapes, controladora da
Riachuelo, mais do que dobrou o lucro líquido em 2006 -
chegou a R$ 221,5 milhões - e encerrou o ano com 86 lojas, sendo nove
inauguradas e 15 expandidas. |
| (Colaborou Marta Watanabe) |