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São Paulo, 10 de julho de 2007

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Apostar em nichos é opção para as redes menores
Daniele do Nascimento Madureira
09/03/2007


Em terra de gigantes que faturam mais de R$ 10 bilhões, os supermercados de médio porte, com vendas abaixo de R$ 1 bilhão, têm dois caminhos para se manter no páreo: ou se associam para conseguir contratos minimamente vantajosos com grandes fornecedores, a partir da criação de centrais de negociação, ou se especializam nos serviços feitos para atender a clientela do bairro, como vendas por telefone e um mix de produtos que agrade os freqüentadores da região.


"Fica difícil para quem é médio negociar preço com os grandes fabricantes, que vendem aos maiores varejistas com desconto", diz o consultor Michel Brull. A rede Dias Pastorinho vem sentindo na pele essa realidade. A loja de Osasco, localizada entre um ponto do Wal-Mart e outro do Carrefour, foi fechada no ano passado. Nos últimos cinco anos, outras duas no interior paulista, em Araçatuba e Marília, também cerraram as portas.


Hoje, a rede conta com sete lojas (quatro na capital e três no interior) e está em reestruturação. O plano de abrir hipermercados foi abandonado e a empresa deve se concentrar no formato atual de lojas, entre 2,5 mil e 3 mil metros quadrados. Com o objetivo de garantir a preferência dos consumidores do bairro, a empresa investe na diversidade de produtos em algumas categorias, como vinhos e perfumaria.


"A oferta de um mix de produtos ajustado ao gosto da região é uma arma estratégica para os supermercados de vizinhança, que os hipermercados não podem ter", diz o consultor Eugênio Foganholo, da Mixxer.


A proximidade é uma arma poderosa das redes de médio e pequeno porte, diz o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Sanzovo. Mas o fator decisivo para a sobrevivência das redes é a gestão e a forma como o processo de sucessão é realizado.


Muitas das cadeias de supermercados encontram-se hoje na segunda geração de herdeiros, considerado um momento considerado crucial nas empresas. Várias não resistem às divergências entre os próprios acionistas, que podem ser mais perigosos do que os grandes concorrentes.


Muitas cadeias de supermercados familiares também descobriram que a união de forças pode ser a melhor maneira de brigar com os gigantes, principalmente na hora de negociar com os fornecedores. Pequenas redes já se juntaram em centrais de compras. Agora, são as cadeias de médio porte que avaliam compartilhar os centros de distribuição, o que poderia trazer redução importante de custo.


De acordo com o diretor administrativo e financeiro da rede Angeloni, Clementino Bolan, a rede tem mantido a competitividade com investimentos em logística. Com 19 lojas no Paraná e em Santa Catarina, a rede construiu no ano passado um centro de distribuição em Porto Belo para centralizar sua distribuição em Santa Catarina, desativando os depósitos que mantinha em Criciúma e São José.


O cartão de crédito também deixou de ser uma arma exclusiva das grandes varejistas. O Angeloni, por exemplo, passou a adotar nos seus cartões as bandeiras Visa ou Mastercard, ampliando a sua atratividade. (Colaboraram Vanessa Jungerfeld e Claudia Facchini)







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