|
Agora ela vem A maior
rede atacadista do mundo, a Costco, já decidiu desembarcar por aqui.
Só falta definir a data
ADRIANA
MATTOS
Em janeiro de 2005, no encontro anual de
investidores e acionistas da Costco Wholesale, em Bellevue
(Washington), o CEO mundial do grupo, Jim Sinegal, teve de,
novamente, parar para ouvir a repetida pergunta que tem pipocado no
mercado há anos: “A empresa não vai expandir a sua atuação pela
América Latina?” A resposta foi negativa. Rede atacadista
norteamericana com receita líquida em US$ 59 bilhões, a empresa já
tem, desde 1992, um pé no México, com a operação de 30 lojas. Mas
parou por aí. Se a pergunta fosse feita hoje, a resposta de Sinegal
seria diferente. Segundo apurou DINHEIRO, a companhia acaba de
concluir um longo estudo de viabilidade econômica para atuar no
mercado brasileiro. Diretores da companhia estiveram visitando São
Paulo nos últimos dois anos. A Korn/Ferry, um dos maiores
escritórios de headhunters do mundo, foi contratada para mapear o
mercado de executivos e identificar possíveis dirigentes da empresa
por aqui. O modelo também já estaria definido. No Brasil, eles
atuariam com lojas menores, diferentes dos gigantescos espaços
utilizados nos EUA. Um ponto que estaria em discussão é a forma de
desembarque. Com as gôndolas vazias de ofertas de atacadistas à
venda no País, a opção é a abertura de lojas próprias, com a marca
Costco Wholesale. O local preferido seria a região metropolitana de
São Paulo, apurou a DINHEIRO, onde o mercado ainda não está
congestionado e há terrenos disponíveis para aquisições.
“O Brasil é um mercado extremamente importante.
Se vamos investir? Bom, nunca dizemos nunca”, afirmou à DINHEIRO
James Murphy, vice-presidente da divisão internacional da Costco. Há
alguns obstáculos que precisam ser superados. O Brasil disputa a
atenção (e o bolso) da Costco com outros países, como Coréia, Taiwan
e Reino Unido. A evolução dos planos da Costco também depende do
comportamento da economia brasileira. Na entrevista de dois anos
atrás, Sinegal justificava sua aversão à América Latina em função
das “incertezas da economia local”. Resta saber se os recentes anos
de bonança mudaram a opinião de Sinegal. Ao desembarcar aqui, a
empresa enfrentará o problema da falta de escala, que ajuda a diluir
os custos. Por isso o plano inicial passava pela compra de uma
grande rede atacadista nacional. Mas, com a recente venda do
Atacadão ao Carrefour e o preço alto da operação brasileira do
Makro, essa estratégia não avançou.
US$ 59 BILHÕES é a receita anual da Costco
 |
| LOJAS DA REDE
NOS EUA: diretores da empresa visitaram São
Paulo e colheram informações sobre o
mercado |
A Costco tem uma vantagem. Hoje, ela pode aprender com os erros
cometidos pelas concorrentes que já estrearam por aqui. Ela
certamente não colocará em suas gôndolas tacos de golfe e
equipamentos de patinação, como fez o Wal-Mart em 1995 ao chegar no
Brasil. O caso tornou-se emblemático da dificuldade de grandes
corporações se adequarem ao mercado local. “Se ela usar como base a
sua atuação internacional, a Costco pode evitar tropeços por aqui.
Mas é importante que, quando decidir entrar, ela entre com tudo
mesmo, abrindo diversas lojas rapidamente para ganhar escala
rápido”, diz Eugenio Foganholo, sócio da Mixxer Consultoria. A
companhia opera em sete países, possui 513 lojas e 136 mil
funcionários, o equivalente a dois grupos Pão de Açúcar. Portanto,
tem fôlego para mexer com o mercado atacadista, que vive um período
de crescimento acelerado. “Somos a aposta do momento. Crescemos o
dobro do PIB e estamos numa fase muito boa”, diz Geraldo Caixeta,
presidente da Abad, a associação dos atacadistas do País. |