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Com mais importados, comércio cresce
9,6%
Alta no volume foi puxada pelo varejo especializado, que inclui
eletroeletrônicos e veículos, com crescimento de 11,9%
Aumento na renda, expansão da oferta de crédito, queda dos juros e
alongamento dos prazos de pagamento beneficiam setor
Danilo Verpa/Folha Imagem
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| 9,5%
foi quanto cresceu a importação de alimentos e bebidas neste ano até maio
sobre igual período de 2006, contra um aumento de 4,8% da produção
industrial, segundo a CNI
TATIANA
RESENDE DA REDAÇÃO
Com mais dinheiro no bolso, melhores condições de pagamento e
importados baixando os preços de alguns itens, os brasileiros estão indo
mais às compras. O Indicador Serasa de Atividade do Comércio apontou alta
de 9,6% no volume de vendas do varejo no primeiro semestre, com relação ao
mesmo período de 2006. A expansão foi registrada sobre uma base alta,
já que houve crescimento de 5,2% nos primeiros seis meses do ano passado
no confronto com igual intervalo em 2005. "É uma tendência de crescimento
de fato, não uma recuperação cíclica", comentou Luiz Rabi, assessor
econômico da Serasa. Considerando a série histórica do indicador desde
o ano 2000, o melhor desempenho no período até então tinha sido registrado
em 2004, com alta de 9,5%. No entanto, como 2003 foi um ano de freada
econômica devido à desconfiança dos mercados em relação à eleição do
presidente Lula, a base de comparação baixa (-5,6%) torna o crescimento em
2007 ainda mais significativo. O levantamento, que considera as
consultas feitas pelas empresas ao banco de dados da Serasa, divide as
vendas em duas categorias. O varejo especializado, que inclui veículos,
eletroeletrônicos e têxteis, puxou o crescimento, com expansão de 11,9%.
Já alimentos e bebidas, que considera supermercados, hipermercados,
mercearias, açougues e distribuidoras de bebidas, subiram 7,5%. No
confronto de junho com maio, houve queda em todos os três comparativos,
mas devido às vendas do Dia das Mães, que têm maior reflexo do que as do
Dia dos Namorados. O rendimento médio real da população ocupada,
segundo os últimos dados do IBGE, teve alta de 3,9% em maio, no
comparativo com o mesmo mês em 2006. Esse aumento beneficia os dois
segmentos, mas o varejo especializado sai na frente com o fôlego extra
dado pela expansão da oferta de crédito, a queda dos juros e o alongamento
dos prazos de pagamento.
Importados Os produtos
importados também estão impulsionando a demanda interna, ocasionando a
redução nos preços de alguns itens do varejo. Pesquisa da CNI
(Confederação Nacional da Indústria) considerando o período de janeiro a
maio deste ano, no confronto com o mesmo intervalo em 2006, mostrou que,
no setor de alimentos e bebidas, as importações cresceram 9,5%, contra
4,8% da produção nacional. Já em veículos, houve alta de 19,9% nas
importações, e 8,1% na produção nacional. No setor de vestuário e
acessórios, o efeito da desvalorização do dólar, em relação ao real, é
ainda mais evidente. Embora as importações tenham crescido 29,4%, a
produção nacional ficou quase estável (0,3%). O consultor Alberto
Serrentino, da Gouvêa de Souza & MD, especializada em varejo, lembra
ainda que, além de disputar a preferência do consumidor, os importados
ajudam a segurar os preços dos produtos nacionais, numa concorrência
acirrada que beneficia as vendas do varejo. Para o consultor Eugênio
Foganholo, da Mixxer, todos esses fatores indicam que a tendência para o
resto do ano "é que o varejo continue bastante aquecido" e o endividamento
só deve começar a preocupar no início do próximo ano. Além dos
indicadores concretos, Fonganholo afirma que o cenário econômico favorável
traz uma percepção de estabilidade no emprego, o que ajuda a alavancar o
consumo.
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