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Classes A e B têm a maior alta na renda média, diz
pesquisa
Estudo da LatinPanel mostra que aumento foi de 7% em 2007 sobre o
ano passado
Ganhos com aplicações financeiras foram principal motivo; devido ao
resultado do agronegócio, o destaque foi a região Centro-Oeste
TATIANA RESENDE DA REDAÇÃO
As famílias da classe AB tiveram o maior crescimento de
renda e de gastos da população brasileira. Esse estrato, que ganha mais de
dez salários mínimos, deve ter, ao final deste ano, renda média 7%
superior a de 2006 e ampliação de 5% nos gastos médios. A expansão foi
constatada em estudo da LatinPanel com 8.200 lares no país. O principal
motivo para o aumento no rendimento foram os ganhos com aplicações
financeiras. As famílias aumentaram em 216% os investimentos, de uma
média de R$ 1.520 para R$ 4.812. O acumulado do ano até outubro mostra que
essa foi uma boa escolha, principalmente para quem apostou em ações. O
Ibovespa, que reflete os preços das ações mais negociadas, teve alta de
46,87%. Os ganhos com comissões e bonificações, como a participação dos
trabalhadores nos lucros das empresas, também ajudaram nesse crescimento,
com uma ampliação de 27% no período analisado. Por macrorregiões, o
destaque foi o Centro-Oeste, impulsionado pelo agronegócio. O aumento
da renda média foi menor do que no topo da pirâmide na classe C (4%), com
renda de quatro a dez salários mínimos, e na DE (2%), inferior a quatro
mínimos, o que pode resultar em até queda do poder de compra de parte da
população se considerada a inflação medida pelo IPCA no acumulado do ano
(3,3%). "Mas a inflação na classe DE não é a mesma da AB", afirma
Fátima Merlin, gerente de atendimento ao varejo da LatinPanel. Em gastos
médios, a alta foi de 2% (C) e 3% (DE).
O consultor especializado em
varejo Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, comenta
que, após vários anos de ascensão econômica, sem necessariamente um boom,
é um movimento histórico natural começar a melhoria da renda pela classe
mais baixa e chegar ao topo da pirâmide. "Mas os números da classe DE são
preocupantes."
A gerente da LatinPanel lembra que foi justamente essa
parte da população que teve o maior aumento nos gastos nos últimos três
anos. "Logo, a base de comparação é muito forte." Em um estudo anterior,
foi constatado que a cesta padrão do brasileiro da classe DE subiu 29% de
2002 a 2006, bem acima da C (18%) e da AB (20%). Considerando toda a
população, neste ano aumentaram os gastos com habitação (9%), saúde (8%),
vestuário (11%), alimentação fora do lar (8%) e lazer (7%), o que mostra
melhoria nas condições de vida. Na contramão, com redução nas despesas,
está a alimentação dentro do lar (11%) porque o consumidor está comendo
mais fora de casa. O gasto foi 17% menor com frutas, verduras e legumes, e
15% menor com aves, carnes, ovos e peixes. Para Margareth Utimura,
diretora de atendimento e inovação da LatinPanel, os itens básicos foram
afetados para sustentar a expansão do consumo de itens industrializados
mais sofisticados. Houve crescimento no volume médio comprado de iogurtes,
bebidas à base de soja e salgadinhos.
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