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Laboratórios fogem da guerra contra os remédios
genéricos
Fabricantes de medicamentos vendidos sem prescrição investem cada
vez mais em propaganda e em ações nas lojas
Indústria reduz
descontos a distribuidores e promove produtos em farmácias; gastos com
publicidade aumentam quase 40%
CRISTIANE
BARBIERI DA REPORTAGEM LOCAL
Os
laboratórios que produzem remédios de marca mudaram a estratégia para
enfrentar os fabricantes de genéricos na área dos medicamentos vendidos
sem prescrição médica, os chamados OTC. Em vez de competir com o menor
preço, os fabricantes de marca têm reduzido os descontos e investido em
propaganda, em ações nos pontos-de-venda e em design de embalagens.
"Os
fabricantes de OTC foram chacoalhados pela indústria de genéricos, que
competia apenas com os remédios de prescrição", afirma Eugenio Foganholo,
diretor da Mixxer, consultoria de varejo. "E também pela indústria da
beleza, que entrou nas farmácias, causou uma revolução e os ensinou como
funciona o varejo."
O laboratório Bohering Ingelheim, dono de marcas
como Buscopan e Anador, por exemplo, reduziu os descontos dados a
atacadistas em oito pontos percentuais, em média, para cada linha de
produto. Com maior rentabilidade, aumentou os gastos em propaganda -de
R$ 37 milhões em 2006 para R$ 44 milhões neste ano. Simultaneamente, mudou
sua operação de venda. Em vez de atuar só com distribuidores, contratou
vendedores que atendem a grandes redes varejistas. Além de retirar
pedidos, buscam expor melhor os produtos nas gôndolas e dão explicações
aos balconistas. "Por muito tempo, a indústria se concentrou na
distribuição", afirma Fernando Martins, diretor de marketing e vendas da
Bohering. "Com mais investimentos em mídia e no ponto-de-venda, estamos
voltando às nossas origens." As iniciativas parecem ter dado resultado.
A linha de OTC, que respondeu por R$ 162 milhões dos R$ 480 milhões
faturados pela Bohering no ano passado, deverá chegar a R$ 190 milhões
neste ano, com incremento de quase 20%. Além disso, a receita proveniente
das grandes redes de farmácia passou de 15% do total do faturamento em
2006 para 20% até maio. A expectativa é chegar a 25% até o fim do
ano. Com relação à redução dos descontos dos medicamentos, o consumidor
chegou a sentir diferença no bolso, como aconteceu com o analgésico
Anador. Em alguns lugares, o aumento chegou a 15%. Mesmo assim, a empresa
vendeu mais. A explicação é que, com o aumento no poder de consumo, a
tendência do consumidor é optar por marcas conhecidas. A Bohering não
foi a única a seguir a tendência. Segundo o anuário "Mídia Dados", os
investimentos publicitários do setor farmacêutico passaram de R$ 583
milhões em 2005 para R$ 793 milhões no ano passado, com crescimento de
quase 40%. A tendência é a de aumento ainda maior neste ano. A
Mantecorp, por exemplo, iniciou neste ano uma intensa campanha de
divulgação de sua marca, depois de acabar a joint venture com a americana
Schering-Plough, no ano passado. "Resolvemos comunicar nossa nova marca
institucional ao mercado e, ao mesmo tempo, reforçar a comunicação de
Coppertone, Polaramine e Coristina", diz Luca Mantegazza, vice-presidente
da Mantecorp. Já a Bayer Health Care, que em 2006 adquiriu a divisão de
OTC da Roche, passa por reestruturação antes de aumentar seus
investimentos em propaganda. Como na Bohering, uma das principais medidas
foi reposicionar as equipes que lidam diretamente com o varejo. "As
equipes faziam ações com os distribuidores e passaram a atuar diretamente
com o varejo", diz Rubens Antonio, diretor da área de cuidados com o
consumidor da Bayer.
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