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O bicho-papão acordou  | 16.03.2004

Ao comprar o Bompreço, a Wal-Mart dá sinais de que vai entrar para valer no jogo do varejo no Brasil


Paul J. Richards/Afp Photo
Loja americana da Wal-Mart: a rede atende o equivalente à população do México por semana
Por Daniela Diniz

EXAME A recém-ocorrida aquisição do supermercado Bompreço pela americana Wal-Mart significa bem mais do que um novo negócio fechado num setor que, nos últimos anos, vem passando por um processo de consolidação. Ao pagar 300 milhões de dólares ao grupo holandês Royal Ahold, a Wal-Mart deu um sinal muito claro a todos os seus concorrentes -- o de que, oito anos depois de ter chegado ao Brasil, finalmente vai disputar esse mercado para valer. Com o Bompreço, a Wal-Mart pulou de um faturamento de 1,7 bilhão para 5 bilhões de reais por ano, o que a eleva do sexto para o terceiro lugar no ranking brasileiro de supermercados. "Concor rência é sempre saudável", diz o espanhol Vicente Trius, presidente da Wal-Mart no Brasil. "E nós adoramos uma competição."

Com receitas acima de 10 bilhões de reais por ano, Pão de Açúcar e Carrefour ainda são, disparadamente, os líderes do setor. Mas a venda do Bompreço coloca a questão: até quando? "Ao arrematar o Bompreço, a Wal-Mart sinalizou que pode adquirir qualquer um", diz Eugênio Foganholo, da Mixxer, consultoria especializada em varejo. Há poucas semanas, o The Wall Street Journal divulgou que a Wal-Mart estaria planejando a compra das operações mundiais da francesa Carrefour. "A Wal-Mart é a grande favorita nas aquisições desse setor agora", diz Foganholo. "Isso significa que o Pão de Açúcar também está na sua mira."

Nhac!
O que a Wal-Mart era antes, e depois de abocanhar o Bompreço
 
Faturamento (Em R$ Bilhões)
Posição No Ranking
Número De Lojas
Antes
1,7
25
Depois
5
143
Fontes: Wal-Mart/Roland Berger


Poder de fogo para ir às compras é o que não falta à Wal-Mart. Entre 1995 e 1999 o grupo respondeu por 25% de todo o ganho de produtividade da economia americana. Alan Greenspan, presidente do Fed, o banco central americano, afirmou recentemente que, com seus preços baixos, a cadeia varejista é uma importante razão que permite aos Estados Unidos manter juros reais negativos e crescimento elevado sem que isso alimente a inflação. No ano passado a Wal-Mart faturou 245 bilhões de dólares em todo o mundo -- mais que o produto interno bruto de 169 países, entre eles Áustria e Bélgica. Suas mais de 4 000 lojas vendem 2 bilhões de litros de leite por ano, o que poderia abastecer os mercados chileno e argentino pelo mesmo período. Em seus corredores caminham 100 milhões de clientes por semana, o equivalente à população do México.

Abocanhar supermercados locais permite à Wal-Mart expandir-se rapidamente fora dos Estados Unidos. Foi comprando grandes redes que ela entrou em mercados desenvolvidos, como Alemanha, Canadá, Inglaterra e Japão. No Brasil, a empresa vinha crescendo devagar. Inaugurava uma loja, depois outra, até chegar às 25 existentes antes de adquirir o Bompreço. Crescer organicamente num país com as dimensões do Brasil é uma estratégia que não combinava com a lógica segundo a qual opera a gigante, acostumada a oferecer preços competitivos em razão do alto volume comercializado.

Um estudo da McKinsey que analisou o setor de supermercados em quatro países emergentes (Brasil, Índia, México e China) revelou que a melhor performance da Wal-Mart era a do México, onde lidera o varejo, com 62% de participação na Walmex, a associação da Wal-Mart com a rede mexicana Cifra. A operação brasileira era justamente a que apresentava os resultados mais pobres. Uma das razões da alta eficiência no México é o domínio da cultura local, obtido com a parceria com a Cifra. No caso do Brasil, diz o estudo, a Wal-Mart ainda estava longe de entender como realmente funciona o mercado brasileiro. "Comprar uma rede de peso, como a do Bompreço, era fundamental no Brasil", diz o especialista em varejo Marcos Gouvêa de Souza.

Ao entrar no páreo pela compra do Bompreço, a Wal-Mart mostrou-se bastante interessada em outras operações das quais o Ahold está se desfazendo para resolver problemas de caixa. O grupo holandês precisa de dinheiro para enfrentar um escândalo contábil que estourou no ano passado. "Dos candidatos, a Wal-Mart era a única interessada pelas operações na Argentina e no Peru", diz Luiz Eduardo Costa, diretor executivo do ABN Amro, que assessorou o Royal Ahold nas transações. No final, a Wal-Mart caiu fora. A operação peruana foi vendida em dezembro a um grupo de investidores estrangeiros e a rede argentina Disco acabou de ser arrematada pela chilena Cencosud.

Muitos analistas não acreditam que a Wal-Mart desistiu desses mercados. Eles acham que esse passo atrás nada mais é do que uma tática para, em breve, comprar essas e outras redes, quan do elas estiverem mais fortalecidas. O estudo da McKinsey mostra que, embora gigante, a Wal-Mart precisa ainda crescer muito fora dos Estados Unidos. Das grandes empresas de varejo ela é a menos internacionalizada. Apenas 13,3% das suas receitas vêm de fora do seu país de origem, ante 31,1% no caso do Carrefour, uma das mais globalizadas. A experiência mostrou ainda à Wal-Mart que o sucesso em outros países depende de sua capacidade de montar uma base local como ponto de partida. Ao entrar sozinha no Brasil, a rede fez algumas bobagens, como tentar vender tacos de beisebol. Com o Bompreço, diminui a possibilidade de repetir esse tipo de erro no Nordeste, região onde agora a Wal-Mart tem a liderança no varejo.

Na mesma semana em que a Wal-Mart cresceu e apareceu, o empresário Abilio Diniz, dono do Pão de Açúcar, passou por outra contrariedade. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) definiu que a aquisição da rede carioca Sendas -- que lhe daria um fôlego extra para enfrentar a competição que se deve acirrar agora -- só pode se efetivar mediante algumas condições. Nenhuma loja poderá ser fechada e a bandeira Sendas deverá ser mantida. Não é o melhor dos mundos para Diniz, sobretudo depois de perder a disputa pelo Bompreço. Segundo o ABN Amro, o Pão de Açúcar foi o último candidato a desistir de levar a rede nordestina. A outra empresa que estava no páreo era o Carrefour.

Com o fortalecimento da Wal-Mart no Brasil, a gigante deve também aumentar a tensão, já grande, entre indústria e varejo. Nos Estados Unidos, seu forte poder de barganha é temido por todos os fornecedores. Pela internet, a rede consegue comprar o que quiser pelo menor preço do mundo. "É natural que a pressão vá aumentar", diz Fernando Fernandes, consultor da Booz Allen Hamilton.



Colaborou Cristiane Mano


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