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 | 01.07.2007

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EXAME 

Estratégia
Um negócio que virou outro
A paulista Roxos & Doentes nasceu há oito anos com a proposta de ser uma loja completa para torcedores fanáticos por futebol. A idéia era ter de tudo -- tudo mesmo. Nas prateleiras há uniformes de times como o paulista Sertãozinho e o amazonense São Raimundo, cachecóis do paranaense Coritiba e miniaturas de menos de 8 centímetros com Ronaldinho Gaúcho em ação. Há quatro anos, o corintiano Eduardo Rosenberg, de 36 anos, criador da empresa, enxergou uma oportunidade ao aproveitar a experiência adquirida no varejo para administrar lojas oficiais de grandes times. "Diferentemente do que acontece na Europa, os clubes brasileiros não utilizam todo o potencial desse canal de vendas", diz Rosenberg. De lá para cá, o que era para ser uma receita adicional transformou-se no principal negócio. A gestão das lojas já responde por mais de 60% do faturamento da Roxos & Doentes, que, segundo o mercado, ultrapassou os 15 milhões de reais por ano. A empresa está por trás do balcão de nove clubes, entre eles Corinthians, Atlético Mineiro e Internacional. Em julho, a empresa deve começar a trabalhar na maior parceria do gênero, com o Flamengo. A Roxos & Doentes fará a gestão de licenças para a abertura de lojas e quiosques oficiais do time por todo o Brasil.

Perguntas básicas
Documentos
Apesar do avanço das tecnologias que permitem trabalhar com documentos digitais, a papelada não tem fim. Estudos indicam que os empresários das pequenas e médias empresas perdem até cinco semanas do ano procurando documentos extraviados em suas mesas, gavetas e pastas. Veja o que os profissionais que trabalham com organização indicam:

Há um método para organizar documentos?
Para facilitar a consulta, o ideal é dividir o espaço disponível para o arquivo em áreas (pessoal, fiscal e contábil, por exemplo). Dentro de cada uma delas, estabeleça uma ordem alfabética para os títulos das pastas. Ao nomear uma pasta, pergunte-se em que categoria você a procuraria se precisasse dela no futuro. Em seu interior, separe os documentos por ordem cronológica. Prefira pastas suspensas, pois facilitam o manuseio e a localização.

Quando jogar a papelada fora?
Tenha uma tabela atualizada com os prazos obrigatórios para manutenção de documentos e livros contábeis. Duas vezes por ano, consulte a tabela e jogue fora tudo que tiver expirado.

O que fazer para os documentos não se deteriorarem?
Não os deixe em contato direto com clipes ou fitas adesivas, que contêm substâncias que podem danificá-los. Conserve as pastas e as gavetas dos arquivos sempre bem fechadas, pois a luz do sol ou a iluminação artificial amarela fazem os papéis envelhecer mais rapidamente.

É necessário terceirizar o arquivo?
Se a empresa produz muita papelada que precisa ser arquivada por longos períodos, terceirizar o arquivo morto pode ser mais prático e sair mais em conta do que ter de pagar a manutenção de espaço físico e de funcionários para arquivar e gerenciar os documentos. Há no mercado várias empresas especializadas nesse tipo de serviço.

Saúde
Atendimento médico no estilo fast food
Nos Estados Unidos, um novo modelo de negócios está prosperando nas mãos de empreendedores que aceitaram o desafio de ganhar dinheiro num setor difícil mesmo para as grandes empresas -- o de serviços de saúde. Eles são donos de boa parte das clínicas de atendimento rápido que apareceram por lá recentemente. Apelidados pelo público de McClínicas, em alusão à rede de fast food McDonald's, esses serviços atendem pacientes com problemas relativamente simples, como resfriados. Localizadas em supermercados ou shoppings e cobrando metade do que numa consulta convencional, as clínicas liberam o paciente em cerca de 15 minutos. Agora, os planos de saúde americanos começam a credenciar algumas delas. Duas das redes que crescem rapidamente são a MinuteClinic, comprada pela cadeia de farmácias CVS, e a RediClinic, que funciona em supermercados Wal-Mart. Os especialistas acham que a idéia poderia ser adaptada ao varejo brasileiro. "A oferta de serviços de saúde no Brasil é precária e há espaço para inovações", diz o consultor Eugenio Foganholo. Algumas barreiras culturais típicas do ramo médico podem dificultar o trabalho dos empreendedores interessados. "Será preciso investir em marketing para mostrar ao consumidor que esse é um serviço sério", afirma Wilson Rezende, professor do GVsaúde.

Recrutamento
Como fazer uma contratação a distância
Pequenas e médias empresas em expansão freqüentemente precisam contratar equipes em outras cidades e estados -- seja para abrir uma nova filial, ampliar uma já existente ou para fortalecer a área comercial em outra praça. No entanto, seus dirigentes podem não dispor de verba e tempo para fazer o recrutamento pessoalmente. Muitas vezes, eles têm de confiar em indicações de amigos ou parentes, o que nem sempre dá certo. Os especialistas dizem que há um método para essa situação. "Na contratação a distância, é preciso ser ainda mais criterioso na seleção dos currículos e planejar muito bem o contato telefônico", afirma Marcelo Mandeli, gerente da divisão de vendas da Michael Page, especializada em recrutamento. Veja as recomendações dos profissionais da área para minimizar erros na hora de contratar funcionários a distância:

A escolha certa
O que fazer para não errar ao contratar um funcionário em outra cidade
1 O melhor canal
Escolha as formas de chegar ao perfil de candidato desejado. Pode ser o jornal regional, o sindicato, uma faculdade etc.
3 Teste de conhecimentos
Provas online são uma ferramenta útil para medir conhecimentos específicos de candidatos que estão em diferentes cidades
2 A entrevista
Quando não é possível conhecer pessoalmente os candidatos, o ideal é ter uma conversa telefônica de pelo menos meia hora com os concorrentes
4 Para cargos estratégicos
Nesses casos, alguém precisa viajar depois de percorrer as etapas anteriores. Ou é possível um encontro na metade do caminho. Pode-se dividir as despesas com o candidato
Fontes: Grupo Soma e Michael Page


Burocracia
Quanto tempo leva para abrir uma empresa?
A equipe do Banco Mundial pesquisou como funciona o processo de abertura de empresas em 65 municípios de cinco países da América Latina. Um dos itens analisados foi o tempo para abrir um novo negócio. Veja as cidades brasileiras que ficaram na frente e na lanterna nesse quesito(1)

Onde é mais rápido Onde é mais demorado
Vitória (ES) 18 dias Guarulhos (SP) 210 dias
Porto Alegre (RS) 31 dias Manaus (AM) 123 dias
Londrina (PR) 32 dias (2) Belo Horizonte (MG) 111 dias
Fonte: Municipal Scorecard 2007 (IFC)
(1) Tempo médio em dias úteis
(2) Aparece empatada em número de dias com outras cidades, mas está mais bem colocada no ranking geral


Minha inovação
A idéia | Para melhorar a qualidade do suporte técnico de sua empresa, a fabricante de sistemas de controles de acesso Madis Rodbel, que fatura 20 milhões de reais por ano, o empresário Rodrigo Pimenta criou o Prêmio de Excelência Técnica. São estabelecidas metas atreladas à qualidade do serviço. Quanto menos vezes um técnico precisar voltar num cliente para refazer o trabalho, maior a bonificação.

Prós | Não foi preciso gastar mais -- apenas modificar o critério para os bônus.

Contras |Os técnicos poderiam protelar alguns chamados para juntar vários na mesma visita.

Resultado |A Madis Rodbel conseguiu diminuir em 60% o número de solicitações que não eram resolvidas em uma única visita.


Expansão
A parceria deu um empurrão
Quatro anos atrás, a paulista Yone Yamassaki, dona do restaurante de culinária brasileira Suruí, viveu um receio comum entre empreendedores assediados por empresas maiores que os querem como parceiros -- o de que o compromisso assumido se transforme mais num empecilho do que numa oportunidade de crescimento. Na época, ela foi convidada para instalar seus restaurantes em quatro dos sete hotéis que a rede Estanplaza, voltada para pessoas que viajam a negócios, mantém na capital paulista. Poderia ser uma oportunidade de expansão imediata com menos investimentos nos novos pontos. Mas o movimento poderia ficar totalmente atrelado ao desempenho do hotel. Além disso, os custos operacionais para funcionar 24 horas por dia subiriam. Yone foi em frente. No ano passado, os restaurantes nos hotéis responderam por dois terços dos 4,5 milhões de reais colhidos em receita pelo Suruí. A parceria também se revelou interessante por um motivo não previsto inicialmente. Como a marca Suruí tornou-se mais conhecida entre executivos e empresários, Yone formou uma rede de contatos que agora pode ajudá-la a levar o Suruí para outros estados, com o sistema de franquias. Faz parte da estratégia de expansão organizar também eventos para empresas.

Planos de saúde
Harvard em dobro
O dentista Luis Chicani, fundador da administradora de planos odontológicos DentalCorp, que fatura cerca de 25 milhões de reais por ano, está tendo um privilégio reservado a pouquíssimos empresários brasileiros. Pela segunda vez, sua empresa é alvo de um estudo da Harvard Business School, em que alunos e professores da instituição debruçam-se sobre uma empresa e analisam profundamente sua estratégia. Na primeira oportunidade, o estudo concentrou-se na expansão do negócio para o Chile, mesmo havendo terreno para crescer no Brasil. Desta vez, o motivo foi a venda da DentalCorp, no fim do ano passado, à OdontoPrev, que havia aberto o capital meses antes. "Estamos estudando todas as variáveis que fizeram Chicani tomar essa decisão", diz Ricardo Reisen, pesquisador de Harvard no Brasil e autor do estudo, em fase final de preparo. "É uma situação delicada e pela qual muitos empresários têm de passar."

Entrevista
O criador do Second Life
Recentemente, a Linden Lab, empresa criadora do Second Life, ambiente virtual que virou mania na internet, fez uma parceria com a Kaizen, pequena empresa do interior paulista, para lançar uma versão exclusiva para o Brasil. Quais as oportunidades de outros empreendedores ganharem dinheiro com ambientes virtuais desse tipo? Quem responde é o próprio Philip Rosedale, fundador da Linden Lab, que falou com exclusividade a EXAME PME. Confira os principais trechos:

Novas oportunidades
"A consultoria Gartner divulgou um estudo segundo o qual 80% dos usuários da internet terão uma segunda vida no mundo virtual até o fim de 2011. O potencial para negócios, portanto, é enorme. Uma comunidade como o Second Life fornece grandes oportunidades de interação, educação, comércio eletrônico e entretenimento. Manter uma presença virtual no mundo pode tornar-se necessário em poucos anos, assim como telefones celulares e e-mails já são hoje."

Ambiente empreendedor
"Os residentes do Second Life preservam, no mundo real, os direitos de propriedade intelectual de suas criações virtuais. Isso favorece o empreendedorismo. Atualmente são poucos os que ganham muito dinheiro, mas há cerca de 39 000 pessoas que ganham alguma coisa. Às vezes, as receitas dessas pessoas vêm de uma interação com o mundo real. Há um empreendedor que usa o Second Life para desenhar brinquedos no mundo virtual. Depois de testados, os protótipos são usados para a fabricação dos brinquedos no mundo real."

Os desafios
"A Linden Lab é lucrativa e cresce rapidamente. Cerca de 80% do faturamento vem da venda de terrenos virtuais. A essa receita são somadas as taxas de inscrição dos usuários e as comissões para converter moeda real em linden dólar. Nosso maior desafio é manter uma plataforma robusta. Já melhoramos a qualidade gráfica. Usamos uma tecnologia criada por uma pequena empresa que trabalha com um software de código aberto. Ficamos tão impressionados que compramos a tecnologia e contratamos quem a desenvolveu."

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