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Terça-feira, 27 março de 2007   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Magazine Luiza vai abrir 60 lojas

Rede anuncia expansão agressiva no momento em que o Ponto Frio troca o comando e as Casas Bahia desaceleram

Márcia De Chiara

O Magazine Luiza, a terceira maior rede varejista de eletrodomésticos do País, decidiu pisar no acelerador. A rede anunciou ontem um plano ambicioso de expansão para 2007. Quer abrir 60 lojas nos sete Estados em que atua, com investimentos da ordem de R$ 40 milhões. A meta é fechar o ano com faturamento de R$ 2,8 bilhões, um aumento de 33% ante 2006. Levando-se em conta o mesmo número de lojas, a intenção é ampliar as vendas em 10%.

A agressividade da empresa, que vai sortear 50 casas até o fim do ano numa campanha de marketing que vai consumir R$ 50 milhões - em comemoração ao seu cinqüentenário -, reflete o rearranjo pelo qual passa hoje o varejo de eletrodomésticos. A líder Casas Bahia, com vendas de R$ 11,5 bilhões em 2006 e que teve expansão acelerada durante anos consecutivos, pisou no freio. Pretende abrir 50 lojas em 2007, o mesmo número de 2006, e projeta crescimento de receita de um dígito para este ano.

Em contrapartida, o Ponto Frio, a segunda rede do setor em vendas, resolveu dar o ar da graça depois de um longo período de hibernação. Desde o fim do ano passado, a rede vem fazendo promoções que desafiam literalmente os concorrentes.

Na semana passada, o Ponto Frio empossou o novo presidente, Manoel Amorim, egresso da Telefônica e tido como um executivo muito ousado. Também anunciou que, em 2006, atingiu o melhor resultado desde 1996.

“As Casas Bahia são tão grandes que, qualquer movimento que façam, o mercado muda. As concorrentes estão aproveitando esse vácuo”, diz o consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. Procuradas pelo Estado, Casas Bahia e Ponto Frio não comentaram a estratégia da concorrente.

“Não sentimos a agressividade do Ponto Frio nas regiões onde estamos”, diz o diretor de vendas do Magazine Luiza, Frederico Trajano. Segundo ele, este será o ano em que a empresa mais irá crescer de forma orgânica, isto é, abrindo lojas por conta própria. No ano passado, foram inaugurados nove pontos-de-venda. Trajano conta que 2006 foi um ano difícil, de consolidação das cinco concorrentes que a companhia havia comprado desde 2005.

Essa dificuldade, diz, estará estampada no balanço que a empresa ainda não divulgou. Trajano admite que a rentabilidade da companhia em 2006 diminuiu. Tanto é que o lucro de R$ 45 milhões alcançado em 2005 não irá se repetir em 2006 e ele não descarta a hipótese de ter encerrado o ano passado no vermelho. No entanto, o diretor pondera que resultado decorreu do processo de depuração das aquisições anteriormente realizadas e frisa que não foi fruto do desempenho operacional da companhia.

Para colocar em prática a campanha de vendas que, segundo Trajano, “é a maior já feita no varejo”, a rede diz que tem recursos disponíveis. O dinheiro é proveniente dos resultados obtidos pela capitalização da empresa, por meio de uma parceria fechada com o fundo Capital Group em 2005, e de empréstimos.

   



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