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Manter receita
do Atacadão é o grande desafio
Para analistas,
estrutura pesada e grande do Carrefour se contrapõe à
agilidade e à flexibilidade do
atacadista
Márcia
De Chiara
Para analistas, o
grande desafio do Carrefour será manter o nível de faturamento
do Atacadão sob sua administração. 'O passado recente do
Carrefour nas aquisições feitas no País o condena', diz o
consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio
Foganholo.
Ele lembra que em todas as redes de
supermercados adquiridas pela empresa francesa desde meados de
1998 tiveram problemas e a receita das lojas diminuiu sob a
administração do Carrefour. Entre 1998 e 2000, o Carrefour
incorporou 124 pontos-de-venda no formato de supermercado,
muitos deles batizados com a bandeira Champion, que eram lojas
de vizinhança. Nos últimos dois anos, foram fechados 62
supermercados e a bandeira foi desativada.
Para não
incorrer nos mesmos erros, o Carrefour fez uma exigência nas
negociações: que os acionistas do Atacadão continuem por pelo
menos dois anos supervisionando os negócios, como
conselheiros. Ontem, o presidente do Carrefour no Brasil, Jean
Marc Pueyo, fez questão de dizer várias vezes que nada mudaria
no Atacadão.
INSUCESSO
O principal motivo
para o insucesso do Carrefour na gestão do modelo de
supermercados foi a falta de experiência nesse segmento, diz
Foganholo. 'O Carrefour não tem vocação para esse modelo.'
Esse movimento é exatamente o inverso do que ocorre nos
hipermercados, segmento no qual a rede francesa é uma empresa
de sucesso.
O consultor ressalva que a exceção é a
operação de supermercado de desconto, batizada de Dia%. 'Esse
negócio dá certo porque o Carrefour comprou a operação em
funcionamento na Espanha e a mantém de forma independente da
administração brasileira.'
'O formato do Atacadão é
muito especial, uma mistura entre atacado e varejo', enfatiza
o diretor-geral da Gouvêa de Souza & MD, Marcos Gouvêa de
Souza. Assim como Foganholo, ele acredita que o caminho para o
Carrefour obter o sucesso com Atacadão é mantê-lo sob
administração independente.
Os consultores concordam
que a estrutura pesada e grande do Carrefour se contrapõe à
agilidade e à flexibilidade do Atacadão, o que é um fator
negativo. 'O Atacadão tem uma política comercial muito
agressiva', diz Foganholo. É exatamente essa agressividade que
pode ser sufocada pela máquina administrativa do Carrefour.
Além disso, exemplifica o consultor, no Atacadão há poucos
níveis hierárquicos entre os dirigentes das lojas e os
acionistas, o que não ocorre no Carrefour.
Com a
aquisição do Atacadão pelo Carrefour, novos lances no mundo
das fusões e aquisições devem acontecer no curto prazo e mudar
rapidamente o ranking do setor, como já havia ocorrido
recentemente, com o Wal-Mart passando o
Carrefour.
'Trata-se de um grande jogo de xadrez e
novas aquisições podem sair ainda neste ano', diz Gouvêa de
Souza. Os protagonistas dos próximos negócios, diz o
consultor, serão as três gigantes do varejo de supermercados:
Carrefour, Pão de Açúcar e Wal-Mart.
Os alvos deverão
ser as redes médias de supermercados, localizadas em regiões
estratégicas, como o Nordeste, onde o crescimento de vendas
está acelerado. Neste perfil, dizem os consultores, estão a
rede nordestina G.Barbosa e o Supermercado Gimenes, com forte
presença no interior de São Paulo. Ambas as redes já têm
participação de fundos de investimentos.
COMPRAS
DO CARREFOUR
10/1998 Americanas Rede compra 23
unidades das Lojas
Americanas
6/1999 Planaltão Compra de 16
lojas da rede Planaltão, de
Brasília
7/1999 Roncetti Aquisição de 14
lojas da rede Roncetti, do Espírito
Santo
8/1999 Mineirão Compra de 33 lojas
da rede Mineirão, de Minas
Gerais
1/2000 Rio Compra de 38 lojas das
redes Rainha, Dallas e Continente, no
Rio
6/2005 Sonae Aquisição de 10 lojas da
rede Sonae, em São Paulo
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