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Terça-feira, 18 julho de 2006   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Varejo teme Sadia com mais poder

Especialistas dizem que concentração de mercado facilita elevação de preço dos produtos ao consumidor

Vera Dantas

O anúncio da tentativa de compra da Perdigão pela Sadia surpreendeu e preocupa o comércio. O receio é que a nova empresa aumente os preços dos produtos. "Não temos detalhes da proposta, mas em tese qualquer aumento de concentração é ruim para o mercado", diz o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira. Para o coordenador do Programa de Administração de Varejo da USP, Claudio Felisoni de Angelo, o cenário é claro.

Uma fusão levará a uma elevação de preços porque a Sadia terá um alto poder de monopólio."A situação deve ficar difícil para os supermercados porque será apenas um negociador e não dois. Haverá uma elevação de preços", prevê Felisoni.

O fato, ressalta o presidente da Abras, é que as duas empresas têm uma participação muito expressiva em algumas categorias de produtos, como embutidos, pratos prontos congelados e carnes. Segundo dados do instituto ACNielsen, a participação de mercado da Sadia e Perdigão em carne congeladas, por exemplo, é de 80,7%. Em pratos prontos, como pizza, lasanha entre outros, ambas chegam a ter 92,4% do mercado.

As grandes redes como Pão de Açúcar, Wal-Mart e Carrefour não fizeram comentários. Mas, segundo uma fonte, teriam sido avisadas no fim de semana sobre a proposta pela direção da Sadia.

A fusão da Antarctica com a Brahma que resultou na AmBev é citada, por alguns varejistas, como um exemplo que pode se repetir. "Quando as marcas eram separadas havia briga de preços e o consumidor saía ganhando. Agora isto não existe mais", diz um deles. Outro lembra que, embora as empresas enfrentem concorrentes regionais, a distância entre a terceira marca é muito grande. Uma pesquisa feita pela revista Supermercado Moderno com as marcas preferidas do varejo revela esta diferença. Na categoria presunto, por exemplo, a Sadia tem 37,65% da preferência, seguida pela Perdigão com 28,65%. A marca que aparece em terceiro lugar, a Seara, tem apenas 6,13% das menções.

"A pressão não ficará restrita às linhas onde Sadia e Perdigão dominam", avalia Felisoni.

Para o consultor de varejo Eugênio Foganholo, se o processo de fusão for em frente os fornecedores pequenos de matéria-prima poderão passar dificuldades. "Eles terão apenas uma empresa para vender." Do ponto de vista estratégico ele considera que a operação significará um salto para as empresas. "Vão ganhar musculatura no mercado internacional, com escala e redução de custos e no mercado interno vão entrar em novas categorias e ocupar um espaço maior nas gôndolas."

   



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