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Domingo, 16 julho de 2006   edições anteriores
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  Área é metade da convencional

Estabelecimentos menores são interessantes para mercados que não têm alto potencial

Paulo Baraldi, ESPECIAL PARA O ESTADO

As redes varejistas têm optado por um novo formato de negócio para a expansão em mercados antes inviáveis por causa do pequeno potencial: são as lojas compactas, sem estoques, que possuem até metade do tamanho de uma loja convencional.

O coordenador de pesquisas do Programa de Administração de Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), Luiz Paulo Lopes Fávero, diz que são dois conceitos que incentivam o uso de lojas compactas . O primeiro é a maior possibilidade de penetração em distritos com menor potencial de crescimento. O segundo, trata da questão de atender ao mercado sem potencial brutal, com restrição orçamentária. “Há cidades que não comportam um hipermercado, uma loja convencional, mas uma compacta”, diz. “Mas tem de ter percepção para adequar o mix de produtos.”

O diretor da consultoria Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo, ressalta que mesmo em uma loja compacta é preciso um vasto número de itens e operação que satisfaça os clientes. “Mas é uma alternativa bem interessante para aumentar a rede; de certa forma alguma coisa sofre, pois o mix fica reduzido e o nível de serviço, menor.”

Sobre custos, Fávero cita uma loja de 200 m² de grande rede que custa R$ 196 milhões, enquanto uma de 50 m² sai por R$ 82 milhões.

 

Rede de franquia cresce com lojas pequenas

Depois de um ano com uma loja-piloto, a rede de franquias especializada em revestimentos cerâmicos Portobello Shop percebeu que poderia arriscar no tipo de negócio. Em dezembro de 2005, no interior do Paraná, foi inaugurada a primeira loja. De lá para cá outras três foram abertas e mais três estão previstas para breve. Ao todo, serão 20 até o final do ano.
Segundo o diretor Juarez Leão, as lojas compactas, de 50 m², têm os mesmos mil itens que as convencionais, com cerca de 250 m². A diferença está nas exposições de cômodos, que de 4 m² passaram a 1m².

O formato foi uma opção para a rede atingir cidades onde não seria possível a instalação de uma loja grande por falta de mercado consumidor. Pela avaliação do diretor, havia no País 95 praças com possibilidade de expansão, das quais 76 já ocupadas. “Estávamos próximos do limite e tivemos a idéia como forma de continuar a expandir.”

Para abrir uma loja de 350 m² são necessários até R$ 400 mil, enquanto uma compacta custa R$ 120 mil, diz Leão. A rentabilidade da menor chega a 10% em média, enquanto a convencional atinge 8% sobre o faturamento bruto. Uma loja compacta vende em média R$ 80 mil/mês, enquanto a tradicional, R$ 180 mil, devido ao mercado onde estão.

Na Multicoisas, a idéia começou nos shoppings

Com um mix de produtos adequado para lojas compactas, a rede Multicoisas tem superado a estimativa de vendas. As menores unidades, instaladas em Fortaleza e Cuiabá, com 50 m² e 70m² respectivamente, têm alcançado desempenho por metro quadrado superior às unidades convencionais, de 100m².

Nas lojas menores são 2,3 mil itens à venda, com comercialização de 77% por mês. Na convencional, são 3 mil itens, com 62% de comercialização.

Hoje são oito lojas compactadas e haverá mais duas até dezembro. Cada uma custa, em média, 15% menos que uma convencional, que custa de R$ 400 mil a R$ 500 mil, fora aquisição de ponto.

O diretor de Marketing e Expansão da rede, Luis Henrique Stockler, diz que as lojas menores começaram há cinco anos, para instalar em shoppings. “Em shopping as taxas são muito altas e é preciso tirar o máximo de proveito da área.”

Assim, foi pensada uma logística diferenciada para abastecer essas lojas, já que não poderiam ter estoques. Em Fortaleza, por exemplo, mercadorias são entregues diariamente. São dez dias para fazer a entrega, por isso é preciso estimar por quanto tempo haverá produto na gôndola. Além das compactas, a rede possui outras 51 lojas em 11 Estados.C

   



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