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Da Zara para o
Pão de Açúcar
Pedro Janot
assume a diretoria de não-alimentos, prioritária para a rede
Vera
Dantas
Demorou nove meses
para o Grupo Pão de Açúcar encontrar um diretor para a área de
não-alimentos, considerada estratégica para a empresa. Mas
ontem a companhia anunciou a contratação de Pedro Janot ,
diretor-geral da varejista de roupas espanhola Zara, que
começou a funcionar no Brasil em 1999.
Em abril, o Pão
de Açúcar chegou a anunciar a contratação de Rodolfo Landim,
ex-presidente da BR Distribuidora, para assumir a direção da
área de não-alimentos. Mas a rede foi pega de surpresa com a
desistência de última hora de Landim, que acabou seduzido por
uma proposta mais atraente feita pelo empresário Eike Batista,
da EBX. Desde essa época, o grupo procurava um nome para o
cargo.
Com a desistência de Landim, a diretoria
executiva de não-alimentos era ocupada interinamente por Jean
Duboc, que já esteve no comando do Carrefour. No início do
mês, Duboc assumiu na França a diretoria de hipermercados
Geant, do grupo Casino. Janot, que chegará ao Pão de Açúcar no
próximo dia 22, assume a diretoria executiva de não-alimentos
- que inclui as áreas de eletroeletrônicos, têxtil, bazar,
postos de combustível, farmácia e comércio eletrônico - com o
desafio de elevar a participação dessa categoria dentro do
faturamento.
O executivo da Zara acertou sua vinda para
o grupo no mês passado, mas já conversava com a direção da
empresa há cerca de 1 ano e meio. 'Conversei algumas vezes com
o Abilio Diniz, o Cássio Casseb e outros membros do conselho,
mas a convergência veio agora', diz Janot. Ele atribui sua
contratação à sua experiência de agregar valor a negócios -
fundamental no ramo da moda -, ao fato de trabalhar numa
multinacional de moda com forte foco em logística e pela sua
trajetória profissional. 'Vivi momentos de transformação em
empresas importantes', diz.
Antes de assumir o comando
da Zara, em 1999, Janot, 47 anos, passou pela Richards, Lojas
Americanas e Mesbla. Quando entrou na Richards, em 1987, a
empresa familiar tinha 5 lojas. Ao sair de lá em 1998, a marca
havia se transformado numa rede com 40 lojas.'Acho que esses
aspectos influíram na escolha', diz.
O Pão de Açúcar
queria um profissional com experiência em gestão de negócios e
com uma visão estratégica. Mas, na avaliação de especialistas
em varejo, sem dúvida a vivência do executivo da Zara na área
de logística, que pode ser valiosa para o grupo, foi decisiva
na definição. A logística é um diferencial importante hoje na
briga das grandes redes de varejo.
Janot está
acostumado a um modelo de negócios de grande agilidade, em que
a logística é estratégica. A Zara troca suas coleções a cada
15 dias em média e 70% das mercadorias vêm da Europa. Ele não
quis adiantar suas metas para a área e disse que só conversou
em linhas gerais sobre seu novo cargo. Mas acredita que sua
experiência em logística deve ter pesado na
contratação.
Para o consultor Alberto Serrentino, da
Gouvêa de Souza GS&MD, especializada em varejo, o modelo
de negócios da Zara, considerado enxuto e ágil, sem dúvida foi
importante na escolha. A rede espanhola consegue distribuir
produtos um dia depois de o pedido ter sido feito pelas lojas
da Europa e dois dias depois para as unidades da Ásia e do
continente americano - incluindo o Brasil.
A área de
não-alimentos no Grupo Pão de Açúcar representa 26,7% das
vendas da companhia, que, segundo analistas de mercado, devem
ficar em 2006 em torno de R$ 16,5 bilhões. O objetivo da
empresa é que a área de não-alimentos alcance uma participação
de 34% no faturamento do grupo até 2010.
Em várias
entrevistas e em teleconferência com analistas , o presidente
do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, e
o diretor presidente da rede,Cássio Casseb, têm enfatizado que
o crescimento da área é prioritário. No comércio eletrônico,
por exemplo, que hoje representa menos de 1% das vendas, a
meta é chegar a 4,5% em quatro anos.
Para o
especialista em varejo, Eugênio Foganholo, da Mixxer
Desenvolvimento Empresarial, o setor de não-alimentos se torna
cada vez mais importante para as redes de supermercados. 'As
margens que elas conseguem obter com não- alimentos são bem
mais significativas.' Ele observa também que a experiência do
executivo da Zara em moda é estratégica para o avanço da rede
na área têxtil. 'Moda é um setor com um potencial imenso de
crescimento e capaz de atrair um fluxo maior de consumidores
para as lojas.'
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