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Quarta-feira, 10 janeiro de 2007   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Da Zara para o Pão de Açúcar

Pedro Janot assume a diretoria de não-alimentos, prioritária para a rede

Vera Dantas

Demorou nove meses para o Grupo Pão de Açúcar encontrar um diretor para a área de não-alimentos, considerada estratégica para a empresa. Mas ontem a companhia anunciou a contratação de Pedro Janot , diretor-geral da varejista de roupas espanhola Zara, que começou a funcionar no Brasil em 1999.

Em abril, o Pão de Açúcar chegou a anunciar a contratação de Rodolfo Landim, ex-presidente da BR Distribuidora, para assumir a direção da área de não-alimentos. Mas a rede foi pega de surpresa com a desistência de última hora de Landim, que acabou seduzido por uma proposta mais atraente feita pelo empresário Eike Batista, da EBX. Desde essa época, o grupo procurava um nome para o cargo.

Com a desistência de Landim, a diretoria executiva de não-alimentos era ocupada interinamente por Jean Duboc, que já esteve no comando do Carrefour. No início do mês, Duboc assumiu na França a diretoria de hipermercados Geant, do grupo Casino. Janot, que chegará ao Pão de Açúcar no próximo dia 22, assume a diretoria executiva de não-alimentos - que inclui as áreas de eletroeletrônicos, têxtil, bazar, postos de combustível, farmácia e comércio eletrônico - com o desafio de elevar a participação dessa categoria dentro do faturamento.

O executivo da Zara acertou sua vinda para o grupo no mês passado, mas já conversava com a direção da empresa há cerca de 1 ano e meio. 'Conversei algumas vezes com o Abilio Diniz, o Cássio Casseb e outros membros do conselho, mas a convergência veio agora', diz Janot. Ele atribui sua contratação à sua experiência de agregar valor a negócios - fundamental no ramo da moda -, ao fato de trabalhar numa multinacional de moda com forte foco em logística e pela sua trajetória profissional. 'Vivi momentos de transformação em empresas importantes', diz.

Antes de assumir o comando da Zara, em 1999, Janot, 47 anos, passou pela Richards, Lojas Americanas e Mesbla. Quando entrou na Richards, em 1987, a empresa familiar tinha 5 lojas. Ao sair de lá em 1998, a marca havia se transformado numa rede com 40 lojas.'Acho que esses aspectos influíram na escolha', diz.

O Pão de Açúcar queria um profissional com experiência em gestão de negócios e com uma visão estratégica. Mas, na avaliação de especialistas em varejo, sem dúvida a vivência do executivo da Zara na área de logística, que pode ser valiosa para o grupo, foi decisiva na definição. A logística é um diferencial importante hoje na briga das grandes redes de varejo.

Janot está acostumado a um modelo de negócios de grande agilidade, em que a logística é estratégica. A Zara troca suas coleções a cada 15 dias em média e 70% das mercadorias vêm da Europa. Ele não quis adiantar suas metas para a área e disse que só conversou em linhas gerais sobre seu novo cargo. Mas acredita que sua experiência em logística deve ter pesado na contratação.

Para o consultor Alberto Serrentino, da Gouvêa de Souza GS&MD, especializada em varejo, o modelo de negócios da Zara, considerado enxuto e ágil, sem dúvida foi importante na escolha. A rede espanhola consegue distribuir produtos um dia depois de o pedido ter sido feito pelas lojas da Europa e dois dias depois para as unidades da Ásia e do continente americano - incluindo o Brasil.

A área de não-alimentos no Grupo Pão de Açúcar representa 26,7% das vendas da companhia, que, segundo analistas de mercado, devem ficar em 2006 em torno de R$ 16,5 bilhões. O objetivo da empresa é que a área de não-alimentos alcance uma participação de 34% no faturamento do grupo até 2010.

Em várias entrevistas e em teleconferência com analistas , o presidente do Conselho de Administração do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, e o diretor presidente da rede,Cássio Casseb, têm enfatizado que o crescimento da área é prioritário. No comércio eletrônico, por exemplo, que hoje representa menos de 1% das vendas, a meta é chegar a 4,5% em quatro anos.

Para o especialista em varejo, Eugênio Foganholo, da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, o setor de não-alimentos se torna cada vez mais importante para as redes de supermercados. 'As margens que elas conseguem obter com não- alimentos são bem mais significativas.' Ele observa também que a experiência do executivo da Zara em moda é estratégica para o avanço da rede na área têxtil. 'Moda é um setor com um potencial imenso de crescimento e capaz de atrair um fluxo maior de consumidores para as lojas.'

   



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