Julio Mesquita
(1891-1927)
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Domingo, 8 outubro de 2006   edições anteriores
ECONOMIA & NEGÓCIOS
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  Sobreviver à perda de status do centro da cidade foi o grande desafio

Enfrentar a perda de status do centro da cidade nas últimas décadas tem sido um desafio em comum de lojas que já completaram cem anos ou estão perto de chegar lá. A maior parte delas nasceu no centro, numa época em que a região era freqüentada pela elite industrial e política do País.

'A saída do centro de um público de executivos de bancos e empresas e do consumidor de maior poder aquisitivo, a partir de década de 80, atingiu em cheio nosso faturamento', reconhece Miguel Romano, dono da Casa Godinho. 'O início da revitalização da região tem ajudado, mas ainda é muito pouco.' A Godinho foi fundada em 1888 por um imigrante português que não deixou herdeiros. Ela nasceu na Praça da Sé, mas em 1926 veio para a Libero Badaró, onde está até hoje vendendo secos e molhados finos, a maioria importados.

Em 2001, a empresa quase quebrou. O crescimento de concorrentes como o Empório Santa Luzia, nos Jardins, e lojas mais sofisticadas do Pão de Açúcar que oferecem a mesma linha de produtos, em regiões de acesso mais fácil ao consumidor, tiveram reflexo no negócio.

'A mudança drástica da geografia urbana nos últimos 30 anos em São Paulo criou oportunidades para novos negócios, mas se tornou um desafio para a sobrevivência de muitas empresas', diz o especialista em varejo Eugênio Foganholo. Para outro especialista, o professor Nelson Barrizelli, da USP, o varejo que se reinventou e buscou nichos, como ocorre com empresas modernas, se deu bem. Nos Estados Unidos, observa, a Whole Foods, um supermercado voltado para produtos orgânicos, é um sucesso.

A Casa Godinho, por exemplo, decidiu concentrar esforços na venda de bacalhau para sair da crise. 'É um produto que sempre fez a fama do empório e foi nossa salvação', diz Romano. A partir dessa decisão, a empresa investiu num site com receitas, dicas e história do bacalhau, foi a programas de culinária na televisão e passou a fazer entregas. Em pouco tempo, as vendas dobraram.

A loja também adaptou seu balcão centenário para uma minipadaria, onde são vendidos sanduíches, doces e salgados, principalmente no horário do almoço, que hoje respondem por 40% do faturamento da casa. O próximo passo deverá ser a abertura de um bistrô no fundo da loja para degustação de pratos à base de bacalhau e vinhos. 'Modernizamos, mas a alma da casa permanece.'

   



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