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Sobreviver à
perda de status do centro da cidade foi o grande desafio
Enfrentar a perda
de status do centro da cidade nas últimas décadas tem sido um
desafio em comum de lojas que já completaram cem anos ou estão
perto de chegar lá. A maior parte delas nasceu no centro, numa
época em que a região era freqüentada pela elite industrial e
política do País.
'A saída do centro de um público de
executivos de bancos e empresas e do consumidor de maior poder
aquisitivo, a partir de década de 80, atingiu em cheio nosso
faturamento', reconhece Miguel Romano, dono da Casa Godinho.
'O início da revitalização da região tem ajudado, mas ainda é
muito pouco.' A Godinho foi fundada em 1888 por um imigrante
português que não deixou herdeiros. Ela nasceu na Praça da Sé,
mas em 1926 veio para a Libero Badaró, onde está até hoje
vendendo secos e molhados finos, a maioria
importados.
Em 2001, a empresa quase quebrou. O
crescimento de concorrentes como o Empório Santa Luzia, nos
Jardins, e lojas mais sofisticadas do Pão de Açúcar que
oferecem a mesma linha de produtos, em regiões de acesso mais
fácil ao consumidor, tiveram reflexo no negócio.
'A
mudança drástica da geografia urbana nos últimos 30 anos em
São Paulo criou oportunidades para novos negócios, mas se
tornou um desafio para a sobrevivência de muitas empresas',
diz o especialista em varejo Eugênio Foganholo. Para outro
especialista, o professor Nelson Barrizelli, da USP, o varejo
que se reinventou e buscou nichos, como ocorre com empresas
modernas, se deu bem. Nos Estados Unidos, observa, a Whole
Foods, um supermercado voltado para produtos orgânicos, é um
sucesso.
A Casa Godinho, por exemplo, decidiu
concentrar esforços na venda de bacalhau para sair da crise.
'É um produto que sempre fez a fama do empório e foi nossa
salvação', diz Romano. A partir dessa decisão, a empresa
investiu num site com receitas, dicas e história do bacalhau,
foi a programas de culinária na televisão e passou a fazer
entregas. Em pouco tempo, as vendas dobraram.
A loja
também adaptou seu balcão centenário para uma minipadaria,
onde são vendidos sanduíches, doces e salgados, principalmente
no horário do almoço, que hoje respondem por 40% do
faturamento da casa. O próximo passo deverá ser a abertura de
um bistrô no fundo da loja para degustação de pratos à base de
bacalhau e vinhos. 'Modernizamos, mas a alma da casa
permanece.'
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