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Rede mineira vai
às compras
Ricardo Eletro
negocia aquisição das Lojas Mig, com 85 pontos-de-venda
Márcia
De Chiara
A mineira Ricardo
Eletro, uma das dez maiores redes de eletroeletrônicos e
móveis do País, negocia a compra de outra rede mineira, as
Lojas Mig, com sede em Uberlândia (MG) e 85 pontos-de-venda
espalhados entre Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito
Federal, Goiás e São Paulo. Segundo fontes do mercado, o
negócio está avaliado em cerca de R$ 60 milhões e reforça a
agressividade da rede Ricardo Eletro na região central do
País.
Como reza a tradição mineira, as redes trabalham
discretamente e ainda não confirmam oficialmente o negócio.
Mas os funcionários da varejista Lojas Mig dizem que foram
informados que teriam um novo dono.
Com foco no varejo
popular de móveis e eletrodomésticos, as Lojas Mig são uma
empresa familiar, com 45 anos de atividade, que estariam à
venda há algum tempo porque os sócios perderam o interesse
pelo negócio. Segundo fontes do mercado, a empresa chegou a
iniciar entendimentos para ser vendida , por duas vezes, com o
Magazine Luiza, mas o negócio não vingou.
Desta vez, no
entanto, a aproximação entre as companhias teria sido feita
pela financeira Losango, do banco HSBC, que trabalha com as
duas redes e teria sido uma espécie de 'madrinha' do negócio.
Afinal, a Ricardo Eletro é uma das três maiores clientes da
Losango. A assessoria da financeira desconhece as
negociações.
Comandada pelo jovem empresário Ricardo
Nunes, de 38 anos, a Ricardo Eletro é líder em Minas Gerais.
Com faturamento de R$ 850 milhões em 2006, cifra 42% maior em
relação ao ano anterior, a rede encerrou o ano passado com
mais de 100 lojas, espalhadas entre Minas Gerais, Espírito
Santo, Bahia e Sergipe. A empresa entrou no Nordeste em 2005,
onde abriu 30 pontos-de-venda no ano passado. Foi uma das
redes que mais cresceram no Nordeste no ano passado,
desafiando a Insinuante, que é líder na região.
Entre
os planos da companhia, está a estréia em São Paulo e no Rio
de Janeiro. Com a compra das Lojas Mig, esse projeto se
concretiza parcialmente porque a rede que deve ser adquirida
tem 12 lojas no Norte do Estado de São Paulo, apesar de não
estar presente no Rio de Janeiro.
'Existe uma
complementaridade muito boa entre as duas companhias,
excluindo-se as lojas de Minas Gerais e do Espírito Santo,
onde ambas estão presentes', diz o consultor da Mixxer
Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo. Outros
analistas de mercado observam também que a pretensão da rede
Ricardo Eletro é ter presença em Goiás, onda as Lojas Mig têm
33 pontos-de-venda.
FENÔMENO
A compra das
Lojas Mig é interpretada pelo mercado varejista como mais uma
tacada do 'fenômeno' Ricardo Eletro. Comandada pessoalmente
por Ricardo Nunes, inclusive no dia-a-dia das negociações com
o consumidor, a rede tem a personalidade do dono. É conhecida
por ser muito agressiva no mundo dos negócios. Um dos bordões
da companhia é 'Aqui você fala com o dono'.
'A rede
Ricardo Eletro lembra o Magazine Luiza dos últimos tempos,
isto é, é uma companhia regional com grande afã para crescer
rapidamente', diz Foganholo. O consultor lembra que a
estratégia do Magazine Luiza e da Ricardo Eletro é crescer
rapidamente em mercado que não estão muito disputados pela
concorrência, comprando redes varejistas menores. Prova disso
que o Magazine Luiza, apesar de toda agressividade, ainda não
está na capital paulista, o maior mercado consumidor do
País.
Com menos de duas décadas de existência, a
Ricardo Eletro também cresce rapidamente. Já fincou bandeira
no Nordeste, mas também está fora da capital
paulista.
NÚMEROS R$ 850 milhões foi o
faturamento da Ricardo Eletro no ano passado
100
lojas em Minas Gerais, Sergipe, Espírito Santo e Bahia
fazem parte da rede
R$ 60 milhões é o valor
estimado para a compra das lojas Mig, que possuem 85
estabelecimentos
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